sábado, 14 de setembro de 2013

Exaltação da Santa Cruz


EXALTAÇÃO DA SANTA CRUZ

14 de Setembro

 

Salve Santa Cruz, vitoriosa da serpente infernal, tu, que entre céu e terra elevaste Jesus, nova serpente de bronze, fonte de vida para quem contempla com amor confiante.



 

A festa de 14 de setembro teve primeiramente por único objeto o aniversário da descoberta da Santa Cruz por Santa Helena e a dedicação das basílicas constantinianas, consagradas em Jerusalém a 14 de setembro de 335, no próprio local do Santo Sepulcro e do Calvário. Mais tarde, porém, uma confusão de datas fez passar para 14 de setembro a memória de outro acontecimento que suplantou o primeiro: a restituição da Santa Cruz pelos persas em 629. Levada de Jerusalém, quinze anos antes, após uma vitória dos persas, foi reconduzida para Jerusalém pelo imperador Heráclio, vencedor por sua vez dos exércitos persas.

A liturgia da Santa Cruz é uma liturgia triunfante: a Igreja celebra nela a vitória de Cristo sobre a morte e o glorioso troféu da nossa redenção. Já a serpente de bronze erguida por Moisés sobre o povo, o anunciava: a salvação nos havia de vir da exaltação de Jesus sobre o madeiro da Cruz.
 
Fonte: Missal Romano Quotidiano.  Dom Gaspar Lefebvre e os Monges Beneditinos de Santo André.
 
 
 

 

quarta-feira, 11 de setembro de 2013

Santíssimo Nome de Maria

SANTÍSSIMO NOME DE MARIA

12 DE SETEMBRO

 


"Os espíritos malignos tremem ante a Rainha dos Céus, e fogem como se corre do fogo, ao ouvir seu santo Nome. Causa-lhes pavor o santo e terrível Nome de Maria, que para o cristão é em extremo amável e constantemente celebrado. Não podem os demônios comparecer nem poder por em jogo suas artimanhas onde veem resplandecer o nome de Maria. Como trovão que ressoa no céu, assim caem derrubados ao ouvirem o nome de Santa Maria. E quanto mais amiúde se profere este nome, e mais fervorosamente se invoca, mais céleres e para mais longe escapam." (Tomás de Kempis)

 

"Se existe entre os mortais algum nome tão belo, cheio de graça, que mereça ser escrito, lido, louvado, pintado e esculpido é o de Maria, já que é digno de estar sempre diante dos olhos, nos ouvidos e nas mentes de todos os homens e de ser pronunciado em particular e publicamente com imensa reverência". (São Pedro Canísio)

 

Conforme se praticava entre os judeus, oito dias depoisdo nascimento da Virgem, os pais deram-lhe um nome. A Igreja que instituiu a festa do Santo Nome de Jesus, alguns dias depois do Natal, quis instituir também a festa do Santo Nome de Maria pouco depois da sua Natividade. Celebrada primeiramente em Espanha, esta foi estendida a toda a Igreja por Inocêncio XI em 1683, para agradecer a Maria a vitória que João Sobieski, rei da Polônia, acabava de alcançar sobre os turcos que assediavam Viena e ameaçavam o Ocidente.

O nome hebreu de Maria, em latim Domina, significa Senhora ou Soberana; e ela é-o com efeito, pela autoridade mesma de seu Filho, o Senhor Soberano do mundo. Gostamos de chamar a Maria, Nossa Senhora, como chamamos Nosso Senhor a Jesus; pronunciar o seu nome é afirmar o seu poder, implorar o seu auxílio e colocar-nos sob a sua benfazeja proteção.

Fonte: Missal Romano Cotidiano. Dom Gaspar Lefebvre e os Monges Beneditinos de Santo André.

 

Ave Maria em aramaico.

Slom-lek Mar-yam (Ave Maria )
Mal-yat-tay-boo-too (cheia de graça)
Mo-Ran a-mék (O senhor é convosco )
Mba-rak-to At-bné-sé (Bendita sois vós entre as mulheres)
Wam-ba-ra-koo Fee-ro-dkar-sek Ye- Soo. (e bendito é o fruto do vosso ventre,
Jesus)
 
 Mort-Maryam (Santa Maria)
É-méh da-lo-ho
(Mãe de Deus)
Et-ka saf-hlo-fayn ( Rogai por nós)
Hnan- ha-to-yé (Pecadores)
Ho-so-wab so-to ( Agora e na hora)
Dman- Tan
(de nossa morte)
A-meen
(Amém)
 

 

Ave Maria em latim

Ave Maria, (Ave Maria)
gratia plena, (cheia de graça)
Dominus tecum. (o Senhor é convosco)
 Benedicta tu in mulieribus, (Bendita sois vós entre as mulheres)
et benedictus fructus ventris tui, Iesus. (e bendito é o fruto do vosso ventre, Jesus)
Sancta Maria, (Santa Maria)
Mater Dei, (Mãe de Deus)
ora pro nobis peccatoribus, (rogai por nós pecadores)
nunc, et in hora mortis nostræ. (agora, e na hora de nossa morte)
Amen. (Amém)


 
Oração para invocar sempre o nome de Maria Santíssima


Grande Mãe de Deus e minha Mãe, ó Maria, é verdade que eu não sou digno de proferir o vosso nome; mas vós, que me tendes amor e desejais minha salvação, concedei-me, apesar de minha indignidade, a graça de invocar sempre em meu socorro vosso amantíssimo e poderosíssimo nome. Pois é ele o auxílio de quem vive e salvação de quem morre.

Puríssima e dulcíssima Virgem Maria, fazei que seja vosso nome de hoje em diante o alento de minha vida. Senhora, não tardeis a socorrer-me quando vos invocar. Pois, em todas as tentações que me assaltarem, em todas as necessidades que me ocorrerem, não quero deixar de chamar-vos em meu socorro, repetindo sempre:

Maria! Maria! Assim espero fazer durante a vida, assim espero fazer particularmente na hora da morte, para ir depois louvar eternamente no céu vosso querido nome, ó clemente, ó piedosa, ó doce Virgem Maria.

Extraído do livro: “Glórias de Maria”. De Santo Afonso Maria de Ligório.

 

domingo, 25 de agosto de 2013

Papolatria.


Papolatria

Marco Bongi



Com o termo "papolatria" deliberadamente exagerado para evidenciar claramente as distorções, eu não quero absolutamente pôr em causa o sentido de respeito, a justa reverência, a docilidade ao Magistério e nem mesmo a obediência devida ao Santo Padre quando exerce, em matéria de fé e moral, seu ensino supremo. Nem se quer ignorar ou diminuir o Primado de jurisdição ou o poder de governo direto sobre a Igreja, que a doutrina da Igreja Católica sempre reconheceu ao Sumo Pontífice.

Antes, eu estou me referindo, e espero que os críticos vão me desculpar, a uma generalizada postura psicológica, muito em voga no mundo católico, tanto entre o clero como entre os chamados "leigos engajados", o que leva, seja como for, sempre a louvar, além de todos os limites da decência intelectual, qualquer ato, conduta ou estilo de ação do Papa, apresentando-os invariavelmente, como o melhor possível, o mais justo em absoluto, o mais correto, a mais acertada solução possível para com a situação daquele momento.

Quem não se deparou com comentários do tipo:

 " Realmente comoventes e significativas as palavras da primeira saudação do Papa Francisco do balcão da bênção na noite de sua eleição: Boa noite ..." ou, para não inferir apenas sobre o Pontífice reinante, como avaliar os elogios excessivos, escritos e pronunciados muitas vezes pelos mesmos observadores, que julgaram da mesma forma como "heroico", "corajoso" e "um sinal de profunda fé no Onipotente", seja a escolha de João Paulo II de resistir até a morte na Cátedra de Pedro e a atitude diametralmente oposta de Bento XVI de apresentar a sua demissão?

Tinham passado, afinal, apenas oito anos, difícil portanto, invocar a mudança no contexto histórico.

Confrontados com contradições como essas, os interlocutores ficam muitas vezes desconfortáveis, mas não se desarmam. Eles invocam a diferença no contexto histórico, a diversidade de vocações e, sobretudo, mais e mais frequentemente, o argumento de sabor claramente relativista, que inevitavelmente leva a definir bom e justo, na mesma medida, também posturas claramente opostas e antitéticas.

Bento XVI exigia que os comungantes recebessem a Eucaristia ajoelhados. Papa Francisco nem sequer se ajoelha na consagração ... Será? O que há de errado? São excelentes ambos os comportamentos ... Enfatizam apenas dois aspectos complementares da mesma verdade!

João Paulo II organizava viagens espetaculares e grandiosas sem poupar nenhuma despesa. Papa Francisco traz sua mala no avião ostentando uma pobreza que toca o pauperismo ... São apenas dois modos "aparentemente" diversos de viver o Cristianismo ... Cada um tem sua própria personalidade e Deus certamente, queria deles o que, naquele momento, eles fizeram.

Mas, podemos continuar: Bento XVI gostava tanto da música de Mozart ... A tocava sempre com o piano instalado no apartamento pontifício ... Ele ficava contente de assistir alguns concertos de música clássica.

Papa Francisco não só tem, de forma clamorosamente dramática, “dado o pacote" para aqueles que haviam organizado um concerto em sua homenagem, mas parece mesmo que se justifica dizendo desdenhosamente, não se sentir como um príncipe da Renascença.

E que fazem os nossos comentaristas? Há dois anos nos davam a seguir, com a exaltação da "profunda sensibilidade" do sucessor de Pedro, a sensibilidade que se manifesta poderosamente em amor pela música. Hoje, os mesmos personagens, têm prazer no sentido prático expresso pelo bispo de Roma, que o levou a desprezar ornamentos inúteis e cerimoniais anacrônicos.  

Compreendamos bem. Papas sempre diferiam muito um do outro, pelo caráter, personalidade e estilo de vida. O asceta Celestino V levou uma vida diametralmente oposta ao decidido Bonifácio VIII. O tímido Clemente XIV não se assemelha em nada ao valente Gregório VII. E o que dizer do mundano Alexander VI em relação ao piíssimo São Pio V?

Não é certamente este o problema. A questão está em bem outros termos.

Ninguém pode me acusar de não sentir "cum Ecclesia" se eu dissesse, por exemplo, que Calisto III  provavelmente foi um simoníaco; que Alexandre VI levava uma vida amoral; que Clemente XIV  se mostrou fraco quando dissolveu a ordem dos jesuítas, que os papas de Avignon eram propensos aos desejos do rei de França; que Urbano VIII estava errado, na verdade eu não o penso, em condenar Galileu Galilei. Alguma crítica, no entanto, é possível formulá-la, sem correr o risco de "excomunhão", até, e absolutamente não depois, de Pio XII. De 1958 para a frente, em vez ... ai de quem ousasse ventilar, ainda que timidamente, até mesmo uma pequena reserva sobre os Papas sucessivos!

Todos perfeitos, todos os insuperáveis, todos os santos! Dentro de alguns séculos certamente muitos rirão de nosso conformismo oblíquo e acrítico.

Será bajulação? Será só pouca vontade de se envolver? Será, especialmente para jornalistas e escritores que ... "Tenho família ..."?

Em conclusão, podemos de qualquer modo serenamente afirmar que este nivelamento intelectual não tem nada de autenticamente católico. Uma coisa é o respeito às doutrinas proclamadas e ao Magistério constante do Romano Pontífice; uma coisa é a obediência aos comandos dados, a fim de defender e transmitir o Depósito da Fé.

Bem outra o servilismo obtuso, a adulação descarada, a exaltação incondicional.

Além disso, na minha opinião, essas atitudes intelectuais, além de que fazem perder autoridade a quem as propõe, acabam também por levar, mais cedo ou mais tarde, à ladeira que leva ao indiferentismo. Quando, de fato, o valor de uma declaração ou comportamento depende, em última instância, não do conteúdo intrínseco dos mesmos, mas da pessoa que os faz, se arrisca de não ser capaz de distinguir o que é verdadeiramente justo e verdadeiro do que é errado e, portanto, falso. 

O juízo não se baseia, de resto, em fatores objetivos, mas, essencialmente, sobre aspectos legais exclusivamente ou quase exclusivamente, à pessoa e ao papel que desempenha.

Felizmente, os grandes santos, eles sim, verdadeiramente católicos, nos ensinaram a fugir do "cristianismo de sacristia". São Paulo, Santo Atanásio e São Catarina de Siena amavam tanto o sucessor de Pedro que, por amor e autêntica caridade para com ele, não lhe negaram  também advertências e repreensões. 
 

sábado, 24 de agosto de 2013

Carta do Pe. Cacqueray sobre a Declaração dos bispos da Fraternidade.

Carta do Pe. Cacqueray sobre a Declaração dos bispos da Fraternidade.

 
     Apresentamos aos leitores de língua portuguesa a tradução da carta que o Superior do Distrito da França, Pe. Régis de Cacqueray, enviou aos sacerdotes de seu Distrito com esclarecimentos úteis sobre a Declaração dos Bispos da Fraternidade por ocasião do 25º aniversário das sagrações episcopais. A referida carta se encontra disponível publicamente no site do Distrito da França (http://www.laportelatine.org/vatican/sanctions_indults_discussions/27_juin_2013/02_07_2013_cacqueray_au_sujet_de_la_declaration_du_27_juin_2013.php), e esperamos que possa igualmente ser de utilidade aos católicos da Tradição em nosso país.



     Caro padre,
     A Declaração Doutrinal dos Bispos da Fraternidade Sacerdotal São Pio X, de 27 de junho de 2013, exprime com clareza e força o combate pela Fé que ela deve empreender nas circunstâncias da crise na Igreja, época que lhe toca viver.
     A verdade católica e a denúncia das heresias e da perversão do espírito deste tempo de apostasia se acham expressas na mencionada Declaração. É preciso rezar para que essa Declaração ajude as autoridades da Igreja a se darem conta finalmente da dissolução cada vez mais grave da Fé católica para a qual os erros do Concílio Vaticano II as conduzem. É necessário ter esperança de que, igualmente, essa Fé consolará os nossos fieis e de que os confortará no seu apego àquela única Verdade católica.
     Depois de ter retirado a Declaração doutrinal de 15 de abril de 2012 e depois de ter retomado posições da Fraternidade na última Carta aos Amigos e benfeitores, nosso Superior geral nos comunicou agora essa Declaração de 27 de junho de 2013. Agradeçamos-lhe vivamente! Dada na ocasião dos 25 anos das sagrações episcopais de 1988 e na sequência das discussões doutrinárias com a Santa Sé, reveste-se de importância histórica ao reafirmar a natureza do combate a ser travado.
     Sejam quais foram as dificuldades desses últimos dois anos, constatamos nesse texto que as posições da Fraternidade estão claramente expressas.
     Todavia, como o parágrafo nº 11 da dita Declaração provocou certas interrogações, aproveito a ocasião para trazer algumas precisões. Esse parágrafo se contenta em expor duas evoluções possíveis das autoridades romanas. A primeira é a de que essas autoridades retornem imediatamente à Tradição e à Fé de sempre. A segunda conjectura uma fase intermédia, em que Roma reconheceria à Fraternidade o direito de professar integralmente a Fé e de rejeitar os erros que lhe são contrários, também com o direito e o dever, reconhecidos à Fraternidade, de se opor publicamente aos erros e aos fautores de erros, sejam quem for.
     É importante notar que não está dito de jeito nenhum que, nesse segundo caso – fortemente hipotético aliás – que a Fraternidade aceitaria ipso facto, então, o seu reconhecimento canônico. As circunstâncias serão minuciosamente estudadas para ver o que é prudente fazer ou não fazer para contribuir ao bem comum da Igreja Católica.
     Além disso, de jeito nenhum a Declaração de 27 de junho de 2013 faz um pedido de poder se opor aos erros e aos fautores de erros; pela bela razão de que a Fraternidade não tem de maneira nenhuma a necessidade da autorização romana para proceder como tem procedido até aqui. Ela somente espera, simplesmente, que Roma um dia lhe reconhecerá o direito; mas esse direito, ela sabe muito bem que já possui. Espera inclusive que Roma lhe imporá isso como um dever; mas esse dever ela também já sabe que lhe incumbe hoje.
     Enfim, depois de haver eu mesmo indagado nossos superiores, ouvi deles a resposta de que essa segunda hipótese suporia um papa que não seria mais modernista, um papa que estaria desiludido dos erros liberais e modernistas, mas que se encontraria muito fraco e isolado. Eis qual é o papa que poderia nos reconhecer explicitamente o direito e o dever de nos opormos publicamente aos erros e aos fautores de erros, sem que fosse ainda questão de reconhecimento canônico.
     O texto da Declaração não responde, aliás, a essa dúvida? Creio que sim. Pois pareceria contraditório que um papa modernista e liberal desse à Fraternidade o direito, e inclusive o dever, de se opor publicamente aos erros e aos fautores de erros (isto é, a ele mesmo, que continuaria prisioneiro desses erros).
     Tomemos um exemplo do mundo dos negócios. No Direito do Trabalho, fala-se de “falta grave” quando um empregado comete um ato particularmente grave, dirigido contra o bem comum da empresa. Essa falta particularmente grave deve ser imediatamente punida com uma demissão, na espera de um acerto de contas. Não se concebe evidentemente que um presidente de uma empresa dê a um de seus empregados o direito e o dever de cometer “faltas graves” contra o seu negócio!
     É exatamente isso o que faria um papa liberal ou modernista se ele reconhecesse à Fraternidade o direito e mesmo o dever de atacar os erros e os fautores de erros dentro da Igreja. Isso significaria que nos reconheceria o direito e o dever de cometer faltas graves, não contra a Igreja, o que é absolutamente óbvio, mas contra a igreja conciliar e contra a pessoa dele mesmo. Na verdade, um papa assim, a menos que tivesse enlouquecido, teria se convertido, para favorecer de tal maneira os ataques contra essa igreja conciliar.
     Claro está que nós podemos sempre nos perguntar se isso não poderia também dissimular uma tática modernista ou se esse papa não estaria querendo dizer com os vocábulos “liberalismo” e “modernismo” outra coisa diferente do que realmente significam essas palavras. Tudo é possível e tudo devia ser sopesado atentamente se a hipótese se apresentar. Mas, é justamente por esse motivo que a Declaração NÃO diz que a consequência seria a nossa aceitação de um reconhecimento canônico.
     Seria verdadeiramente paradoxal e uma obra diabólica desejar abandonar a Fraternidade quando uma Declaração como essa acaba de ser publicada. É sob o comando de nosso Superior geral, e não como franco-atiradores, que devemos continuar a travar o combate pela Fé.
     Combatamos, pois, firmemente, com todo nosso coração, apoiando-nos particularmente sobre essa Declaração. Combatamos, com inteligência e prudência, com espírito sobrenatural e na obediência a nossos Superiores. Combatamos pela glória de Deus e pela salvação das almas que nos estão confiadas.
     Combatamos sem zelo amargo, sem preguiça e sem amargura. Se acontecer que pensemos que nossos Superiores não se portam como devem no combate, não hesitemos em nos abrir a eles; mas não murmuremos entre nós.
     Do momento em que o estandarte da Fé está valorosamente desfraldado contra as heresias e contra a loucura do mundo moderno, saibamos passar por cima de tudo aquilo que é acessório e acidental. Já temos muita sorte em sermos, nestes tempos de apostasia, membros desse exército de sacerdotes católicos que defendem a honra de Nosso Senhor Jesus Cristo. Se consideramos, talvez, termos sido vítimas de injustiças ou de incompreensões, ou se o somos de fato, peçamos a graça de saber disso nos regozijar e ofereçamos em sacrifício por esse grande combate por nossa Fé.
     Esperamos de todo o coração que essa Declaração doutrinal permitirá àqueles que não estão mais conosco – D. Williamsom, antigos membros da Fraternidade ou comunidades amigas – voltarem ao seu berço. Citamos especialmente o padre Olivier Rioult. Possa essa Declaração doutrinal de 27 de junho de 2013 ajudá-lo doravante a entender que suas conferências estão erradas ao denunciarem uma traição e um acordo da Fraternidade.
     Convidamos a cada um a permanecer firme na Fé e a não pensar que exista algo como “um estado de necessidade dentro do estado de necessidade” que dispensaria, de agora em diante, de pedir autorizações e que permitiria tomar uma iniciativa qualquer.
     A esse propósito, assinalo que o livro composto pelo padre Pivert não teve a sua difusão proibida pela Casa Geral da Fraternidade. É um boato sem fundamento veiculado pelo site de Max Barret, que afirmou que eu teria permitido que se vendesse contra a ordem de nossos superiores. A realidade é que nossos Superiores não me pediram para retirar esse livro de circulação. Eu pedi ao senhor Barret para corrigir essa inexatidão.
     Enfim, tive a alegria de lhes anunciar o lançamento do site vatican2enquestions, na segunda-feira, 1º de julho de 2013, neste vigésimo quinto aniversário, quase no mesmo dia do aniversário das Sagrações de 1988.
     Tive a ocasião, na última reunião com os priores em Flavigny, de explicar os motivos na origem dessa iniciativa. Esse site nos permitirá, em particular, mostrar que o essencial de tudo o que se diz e do que se faz pelos modernistas, em nome da Igreja, hoje em dia, encontra suas reais raízes no Concílio Vaticano II. Tive a alegria de poder mostrar nesta manhã esse novo site aberto aos nossos Bispos, Dom Fellay e Dom de Galarreta, que estavam de passagem em Suresnes.
     Eu lhe peço aceitar, caro sacerdote de nosso Distrito, a expressão de toda a minha esperança e de meu devotamento sacerdotal, no Coração doloroso e Imaculado de Maria.
     Suresnes, 02 de julho de 2013.
     Padré Régis de CACQUERAY, Superior do Distrito francês da FSSPX

sexta-feira, 23 de agosto de 2013

Santa Catarina de Siena


Santa Catarina de Siena
Festa: 29 de Abril
 

   Santa Catarina de Siena nasceu em Siena no dia da Anunciação, em 25 de março de 1347, sendo a 24ª filha de um tintureiro chamado Giacomo de Benincasa e Lapa.

   Em 1953, com seis anos, tem uma visão extraordinária de Jesus. Revestido de paramentos pontificais, o Divino Mestre pairava no ar, majestosamente, sobre a igreja dos padres dominicanos. Consta que, não muitos dias depois, a precoce criança fez o voto de nunca se casar.

   Em 1362, depois de várias tentativas, aos quinze anos, Catarina entrou para a Ordem da Penitência, de São Domingos. Era uma associação religiosa, formada quase somente de viúvas, que, vivendo em suas casas, dedicavam-se à oração em comum, ao cuidado dos doentes e ao auxílio material dos pobres. Simultaneamente aos primeiros passos no apostolado, Catarina passou por grandes experiências místicas.

   Em 1367, com vinte anos, a fervorosa moça já se impunha na cidade natal de Sena: semanalmente dirigia uma reunião pública de exortação, oração e ensino, com a presença de muitos leigos, religiosos e sacerdotes no hospital de Santa Maria della Scalla. De tais reuniões nasceu a famosa “família catariniana” cujos membros a acompanharam até a morte. Dotada de poderes supranormais, a jovem “mamma” impressionava quantos dela se aproximavam. Parecia ler nas consciências e tinha sempre a solução justa para os mais difíceis casos.

   Em 1370, deu-se um fato místico que mudou a vida de Catarina: sua “morte mística”. Em um êxtase, Catarina morreu e ouviu as seguintes palavras de Deus: “A salvação dos homens exige que tu voltes à vida. Mas não viverás mais como até agora. O pequeno quarto não será mais tua costumeira moradia; pelo contrário, para a salvação das almas deverás sair de tua cidade. Estarei sempre contigo na ida e na volta. Levarás o louvor do meu nome e a minha mensagem a pequenos e grandes, a leigos, clérigos e religiosos. Colocarei em tua boca uma sabedoria, à qual ninguém poderá resistir. Conduzir-te-ei diante de papas, de bispos e de governantes do povo cristão a fim de que por meio dos fracos, como é do meu feitio, eu humilhe a soberba dos fortes”. De fato, a partir daquele dia Catarina começou a sentir-se “como que outra pessoa”! Naquela época, o Sumo Pontífice morava em Avinhão, na França, e deixara como responsável pelo Estado Pontifício na Itália o cardeal legado Pedro d’Estaing. Este, para reprimir as pretensões políticas do Duque de Milão, fizera aliança com a Rainha de Nápoles e o Rei da Hungria, e entregara a um general inglês – John Hawkwood – a chefia das tropas pontifícias. Catarina, então já em contato com grandes teólogos, jurisconsultos e artistas de Sena, percebeu o perigo da guerra entre esses príncipes cristãos. Como solução pacificadora, idealizou a realização de uma grande Cruzada contra os mulçumanos e começou a enviar longas cartas-mensagens a todo mundo.

   Em 1375, para organizar a Cruzada pacificadora, Catarina vai à cidade de Pisa. Esta sua visita ficou famosa porque foi então que recebeu de Cristo o doloroso dom das chagas ou estigmas.

   Em 1376, havia se formado na Itália uma Liga ou Aliança de 80 cidades e castelos contra o poder político-religioso de Roma. O Papa, de Avinhão, reagiu com a arma de que dispunha, lançando o Interdito contra Florença, principal responsável pela situação. Privada de seus direitos de fé e de comércio, a cidade toscana recorreu a Catarina de Sena; queria que fosse a Avinhão em nome de seu governo, para negociar a paz. A jovem Mantellata começou mandando duas cartas a Gregório XI, com sugestões sobre a reforma da Igreja: que o papa afastasse de seus cargos os “membros” apodrecidos, que voltasse ele mesmo a Roma, que procurasse pacificar a cristandade. Depois, encaminhou-se para a França. Antes de voltar à Itália, Catarina encorajou quanto pôde o Papa a fim de que retornasse a Roma. Gregório XI deixou de fato Avinhão aos 13 de setembro.

   Em 1378, faleceu Gregório XI e foi substituído por Urbano VI. Em Florença, ainda submetida ao Interdito papal, a situação tornava-se cada dia mais tensa. Convidada outra vez a servir de intermediária, Catarina dirigiu-se para lá. Numa sedição popular, enfrentou corajosamente um cidadão mais exaltado que ameaçava matá-la. O tratado de paz foi firmado no dia 28 de julho. Durante os meses seguinte, Catarina recolheu-se em Sena, onde ditou o Diálogo. Ainda não acabara de fazê-lo, quando ocorreu em Roma o acontecimento que mais deveria causar-lhe sofrimentos e que, afinal, a levaria à morte: a eleição do antipapa Clemente VII. Por expressa ordem do verdadeiro papa, ela foi à Cidade eterna, acompanhada de diversos discípulos. Chegando no dia 28 de novembro, logo falou aos cardeais fiéis ao Papa sobre a gravidade do cisma. Segundo quanto diz o B. Raimundo de Cápua, logo depois, o papa Urbano VI tomou a palavra e acrescentou: “Vede, meus irmãos, como nos tornamos desprezíveis aos olhos de Deus, deixando-nos tomar pelo medo. Esta pobre mulher nos envergonha!”.

   1380 – A jovem sobretudo orava a Deus pela unidade da Igreja; no dia 15 de fevereiro ditou sua última carta ao B. Raimundo de Cápua, então na cidade de Gênova. Entre outras coisas, dizia: “Quando são nove horas da manhã e eu deixo a igreja onde estive para a missa, vós vereis uma defunta que se dirige à igreja de São Pedro. Então começo de novo a trabalhar pela barca da Santa Igreja. Fico ali até às 15 horas. Gostaria de não deixar aquele lugar, nem de dia nem de noite, até que pudesse ver este povo mais calmo e em paz com o seu pai. O corpo não mais se alimenta, nem mesmo com uma gota de água. Com tão grandes sofrimentos corporais, os quais para mim são doces e desde algum tempo suporto, minha vida pende por um fio”. Sabemos que a partir do dia 4 de março, já não conseguiu mais levantar-se do leito. Em seus êxtases, elevava a Deus fervorosas preces, que os discípulos tiveram o cuidado de transcrever. Catarina faleceu aos 29 de abril, repetindo dezenas de vezes: “Pequei, pequei Senhor; tem piedade de mim”.

   1461 – Foi canonizada por Pio II.

   1970 – O papa Paulo VI a declarou Doutora da Igreja.

Fonte: “O Diálogo”. Ed. Paulus.

quarta-feira, 31 de julho de 2013

Demolição da Igreja


Demolição da Igreja 




Don Pierpaolo Petrucci

A sociedade civil do que era a Europa cristã, está cada vez mais se afastando da lei natural. A lei Taubira, recentemente aprovada na França, que equipara as uniões contra a natureza com o matrimônio, com a possibilidade de adotar crianças,faz eco na Itália, a lei sobre a homofobia, um prelúdio daquela francesa, que fará punível por lei aqueles que continuam a proclamar que o vício contra a natureza clama por vingança diante de Deus.

O silêncio do papa sobre assuntos de tão grande valor moral e de importância para a sociedade deixou muito perplexos também jornalistas, não particularmente relacionados com o mundo da Tradição.

Recentemente, explodiu o escândalo do Bispo Battista Ricca, que foi nomeado pelo Papa Francisco prelado ao IOR. Foi dito que o pontífice não estava ciente dos problemas morais do monsenhor e teria esperado um pedido de demissão.

Agora vêm as declarações do Papa Francisco aos jornalistas, durante sua viagem de volta do Brasil. No atual contexto afirmar sem qualquer distinção de que "se uma pessoa é gay, mas busca o Senhor e tem boa vontade" não se a pode julgar, é extremamente grave. Até mesmo o Papa, assim, se insere no atual clima cultural em que tudo está sendo feito para normalizar o vício antinatural. Como esperado, as declarações do papa foram tomadas e enfatizadas pelos partidários da teoria do gênero e da lei contra a homofobia.

 Essa "abertura de espírito" sobre problemas que afetam a lei natural se encontra diametralmente em contraste com a recente posição de grande gravidade sobre os franciscanos dos Franciscanos da Imaculada, quanto a celebração do rito tradicional da Missa.

 A partir do próximo domingo, 11 de agosto, de facto, será para eles vetada a celebração da Missa de São Pio V. Esta decisão foi tomada por um decreto de 11 de julho e assinado pelo prefeito da Congregação para os Religiosos, Cardeal Braz de Aviz e do seu secretário, o arcebispo franciscano Dom José Rodriguez Carballo, com a aprovação em um formulário específico do Papa.

É fala claro: o Santo Padre Francisco dispôs que todo religioso da Congregação dos Frades Franciscanos da Imaculada estão obrigados a celebrar a liturgia segundo o rito ordinário e que, eventualmente, o uso da forma extraordinária (Vetus Ordo) deverá ser explicitamente autorizada pelas autoridades competentes por cada religioso e/ou comunidade que lhes solicitar].  

Este decreto não leva em conta o Motu Proprio Summorum Pontificum com o qual Bento XVI a autorizou, muito menos o indulto perpétuo já concedido por São Pio V na Bula Quo Primum Tempore.

No atual clima de total liberdade, onde todos os abusos litúrgicos são tolerados, o mal maior parece ser a celebração da Missa Tradicional. A luta ... é como o diabo e a água benta!

Quem que se perguntou por que a Fraternidade São Pio X não aceitou de assinar um acordo com as autoridades romanas agora tem uma resposta mais do que eloquente. Além do fato de que não pode haver nenhum compromisso na aceitação dos erros do último Concílio e a nova liturgia reformada no sentido protestante, como foi explicitamente solicitado pelo Protocolo de Roma, está se tornando cada vez mais claro que não podemos ter qualquer confiança nos homens da igreja imbuídos de princípios liberais.

Quando Deus der à Igreja um Pontífice que tenha a coragem de implementar uma verdadeira reforma, a Fraternidade estará pronta para responder ao seu apelo para a defesa da fé e do sacerdócio católico. No momento, há na Igreja um grave estado de necessidade e tem que ser cego para não vê-lo.

Claro que, mesmo Papa Paulo VI, quando ele falou de "auto-demolição da Igreja", não se deu conta de que sua afirmação seria tão profundamente realizada.

quinta-feira, 27 de junho de 2013

Declaração por ocasião do 25º aniversário das sagrações episcopais


Declaração por ocasião do 25º aniversário das sagrações episcopais (30 de junho de 1988 – 27 de junho de 2013).

  1. Sacre de 1988Por ocasião do 25º aniversário das sagrações, os bispos da Fraternidade Sacerdotal São Pio X expressam solenemente sua gratidão a Dom Marcel Lefebvre e a Dom Antônio de Castro Mayer pelo ato heróico que não tiveram medo de realizar em 30 de junho de 1988. Mais particularmente, querem manifestar sua gratidão filial ao seu venerado fundador que, depois de tantos anos de serviço à Igreja e ao Romano Pontífice, para salvaguardar a fé e o sacerdócio católico, não hesitou em padecer a injusta acusação de desobediência.
 
  1. Na carta que nos dirigiu antes das sagrações, escreveu: “Eu vos conjuro a permanecer unidos à Sé de Pedro, à Igreja romana, Mãe e Mestra de todas as Igrejas, na fé católica íntegra, expressada nos Símbolos da fé, no catecismo do Concílio de Trento, conforme ao que vos foi ensinado no vosso seminário. Permanecei fiéis na transmissão desta fé para que venha o Reino de Nosso Senhor”. Esta frase expressa bem a razão profunda do ato que iria realizar: “para que venha o Reino de Nosso Senhor”, adveniat regnum tuum!
 
  1. Seguindo a Dom Lefebvre, afirmamos que a causa dos graves erros que estão demolindo a Igreja não reside em uma má interpretação dos textos conciliares – uma “hermenêutica da ruptura” que se oporia a uma “hermenêutica da reforma na continuidade” -, mas nos próprios textos, por causa da inaudita linha escolhida pelo concílio Vaticano II. Esta escolha se manifesta nos documentos e no seu espírito: diante do “humanismo laico e profano”, diante da “religião (pois se trata de uma religião) do homem que se faz Deus”, a Igreja, única detentora da Revelação “do Deus que se fez homem”, quis dar a conhecer o seu “novo humanismo”, dizendo ao mundo moderno: “nós também, mais do que ninguém, temos o culto do homem” (Paulo VI, Discurso de encerramento, 7 de dezembro de 1965). No entanto, essa coexistência do culto de Deus e do culto do homem se opõe radicalmente à fé católica que ensina a dar o culto supremo e o primado exclusivamente ao único Deus verdadeiro e ao seu único Filho, Jesus Cristo, em quem “habita corporalmente a plenitude da divindade” (Col. 2, 9).
 
  1. Somos obrigados a constatar que este Concílio atípico, que quis ser apenas pastoral e não dogmático, inaugurou um novo tipo de magistério, desconhecido até então na Igreja, sem raízes na Tradição; um magistério decidido a conciliar a doutrina católica com as idéias liberais; um magistério imbuído dos princípios modernistas do subjetivismo, do imanentismo e em perpétua evolução segundo o falso conceito de tradição viva, viciando a natureza, o conteúdo, a função e o exercício do magistério eclesiástico.
 
  1. Desde então, o reino de Cristo deixou de ser a preocupação das autoridades eclesiásticas, apesar destas palavras de Cristo: “todo poder me foi dado na terra e no céu” (Mat. 28, 18) continuarem sendo uma verdade e uma realidade absolutas. Negá-las nos fatos significa não reconhecer na prática a divindade de Nosso Senhor. Assim, por causa do Concílio, a realeza de Cristo sobre as sociedades humanas simplesmente é ignorada, ou combatida, e a Igreja é arrastada por esse espírito liberal que se manifesta especialmente na liberdade religiosa, no ecumenismo, na colegialidade e na missa nova.
 
  1. A liberdade religiosa exposta por Dignitatis humanae e a sua aplicação prática por cinqüenta anos conduzem logicamente a pedir ao Deus feito homem que renuncie a reinar sobre o homem que se faz Deus, o que equivale a dissolver a Cristo. Ao invés de uma conduta inspirada por uma fé sólida no poder real de Nosso Senhor Jesus Cristo, vemos a Igreja vergonhosamente guiada pela prudência humana e duvidando a tal ponto de si mesma que não pede aos Estados nada além daquilo que as lojas maçônicas querem lhe conceder: o direito comum, no mesmo nível e entre as outras religiões, que ela não ousa mais chamar de falsas.
 
  1. Em nome de um ecumenismo onipresente (Unitatis redintegratio) e de um vão diálogo interreligioso (Nostra Aetate), a verdade sobre a única Igreja é silenciada; assim, uma grande parte dos pastores e dos fiéis, não vendo mais em Nosso Senhor e na Igreja católica a única via de salvação, renunciaram a converter os adeptos das falsas religiões, deixando-os na ignorância da única Verdade. Este ecumenismo literalmente matou o espírito missionário pela busca de uma falsa unidade, reduzindo muito freqüentemente a missão da Igreja à transmissão de uma mensagem de paz puramente terrestre e a um papel humanitário de alívio da miséria no mundo, colocando-se assim atrelada às organizações internacionais.
 
  1. O debilitamento da fé na divindade de Nosso Senhor favorece uma dissolução da unidade da autoridade na Igreja, introduzindo um espírito colegial, igualitário e democrático (cf. Lumen Gentium). Cristo não é mais a cabeça da qual tudo provém, em particular o exercício da autoridade. O Romano Pontífice, que não exerce mais efetivamente a plenitude da sua autoridade, assim como os bispos que – contrariamente ao ensinamento do Vaticano I – crêem poder compartilhar colegialmente de modo habitual a plenitude do poder supremo, se colocam daí em diante, com os padres, à escuta e atrás do “povo de Deus”, novo soberano. É a destruição da autoridade e, em conseqüência, a ruína das instituições cristãs: famílias, seminários, institutos religiosos.
 
  1. A missa nova, promulgada em 1969, debilita a afirmação do reino de Cristo pela Cruz (“regnavit a ligno Deus”). De fato, o seu próprio rito atenua e obscurece a natureza sacrificial e propiciatória do sacrifício eucarístico. Subjacente a esse novo rito, encontra-se a nova e falsa teologia do mistério pascal. Ambos destroem a espiritualidade católica fundada sobre o sacrifício de Nosso Senhor no Calvário. Esta missa está penetrada de um espírito ecumênico e protestante, democrático e humanista, que remove o sacrifício da Cruz. Ela ilustra também a nova concepção do “sacerdócio comum dos batizados” que esconde o sacerdócio sacramental do padre.
 
  1. Cinqüenta anos depois do Concílio as causas permanecem e continuam produzindo os mesmos efeitos, de modo que hoje aquelas sagrações episcopais conservam toda a sua justificação. É o amor pela Igreja que guiou Dom Lefebvre e que guia os seus filhos. É o mesmo desejo de “transmitir o sacerdócio católico em toda a sua pureza doutrinal e sua caridade missionária” (Dom Lefebvre, A vida espiritual) que anima a Fraternidade São Pio X no serviço à Igreja, quando pede com instância às autoridades romanas de reassumir o tesouro da Tradição doutrinal, moral e litúrgica.
 
  1. Este amor pela Igreja explica a regra que Dom Lefebvre sempre observou: seguir a Providência em todo momento, sem jamais pretender antecipá-la. Entendemos que fazemos o mesmo, seja que Roma regresse logo à Tradição e à fé de sempre – o que restabelecerá a ordem na Igreja -, seja que ela nos reconheça explicitamente o direito de professar integralmente a fé e de rejeitar os erros que lhe são contrários, com o direito e o dever de nos opormos publicamente aos erros e aos fautores desses erros, seja quem for – o que permitirá um começo do restabelecimento da ordem. Na espera disso, e diante desta crise que continua seus estragos na Igreja, perseveramos na defesa da Tradição católica e nossa esperança permanece íntegra, pois sabemos com fé certa que “as portas do inferno não prevalecerão contra ela” (Mat. 16, 18).
 
  1. Entendemos assim seguir a exortação do nosso querido e venerado pai no episcopado: “Queridos amigos, sede o meu consolo em Cristo, permanecei fortes na fé, fiéis ao verdadeiro sacrifício da missa, ao verdadeiro e santo sacerdócio de Nosso Senhor, para o triunfo e a glória de Jesus no céu e na terra” (Carta aos bispos). Que a Santíssima Trindade, por intercessão do Imaculado Coração de Maria, nos conceda a graça da fidelidade ao episcopado que recebemos e que queremos exercer para honra de Deus, o triunfo da Igreja e a salvação das almas.
 
Ecône, 27 de junho de 2013, na festa de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro
 
Dom Bernard Fellay
Dom Bernard Tissier de Mallerais
Dom Alfonso de Galarreta